Artigo Cuidados a ter na Exposição Solar Recomendados pela Associação Portuguesa do Cancro cutâneo 25.08.2016
Saiba que se expõe aos raios ultra-violeta (UV) não só quando apanha sol na praia, mas também praticando um desporto ao ar livre, fazendo jardinagem ou simplesmente caminhando ao sol
A exposição solar deve ser cuidadosa, evitando as horas de maior intensidade
Reduza ao máximo as suas actividades exteriores entre as 12h e as 16h
Use um chapéu, uma camisa ou t-shirt de cor escura e óculos quando estiver ao sol. Se estiver muito tempo exposto ao sol, por razões profissionais ou lúdicas, utilize manga comprida que cubra os antebraços. Exponha-se gradualmente ao sol, pois a pele necessita de tempo para se adaptar
Uma t-shirt molhada no corpo pode deixar passar os raios ultra-violeta 30 minutos antes de ir para a praia ou piscina aplique um creme protector com um factor de protecção igual ou superior a 30
Renove as aplicações de 2 em 2 horas e após o banho, mesmo que o protector seja à prova de água
Conheça a sua pele, efectue um auto-exame da pele de 2 em 2 meses. Vigie o contorno, a cor e o tamanho dos seus números
Tenha em atenção o reflexo dos raios solares na neve (85%), na praia (20%), na água e na relva (5%). Estar à sombra de uma chapéu de sol ou toldo não é suficiente para evitar os escaldões
Com templo nublado não se esqueça do protector solar, uma vez que os raios são quase tão perigosos como com sol
Mantenha os bebés longe do sol e ensine a protecção solar às crianças desde muito cedo. No 1º ano de idade, as crianças não devem ser expostas directamente ao sol. Uma queimadura solar na infância duplica o risco de mais tarde se desenvolver um cancro de pele
Evite salas de bronzeamento, ou solários, pois os UV aumentam o risco de cancro cutâneo e aceleram o envelhecimento da pele Evite queimaduras solares e escaldões
As pessoas ruivas, as loiras, com sardas e muitos sinais, devem proteger-se com maior rigor
Programe as actividades, ao ar livre para a manhã ou fim da tarde
É necessário utilizar óculos de protecção, particularmente as crianças e pessoas de olhos claros
Consumir frutas, legumes e beber muita água é importante para a protecção da pele e equilíbrio orgânico
Sinal que modifica, ferida que não cicatriza, é tempo de ser vista Estima-se que cerca de 80% da dose de radiação tolerada pela pele se atinge pelos 18 anos
Proteja a sua pele, os lábios e os olhos do excesso de sol
Estudo Benefícios cognitivos da Dieta Mediterrânica (1) A dieta mediterrânica poderá reduzir o risco de demência na população idosa 30.08.2016 REFERÊNCIAS Valls-Pedret C, Sala-Vila A, Serra-Mir M, et al. Mediterranean diet and age-related cognitive decline: a randomized clinical trial. JAMA Intern Med 2015;175:1094–103. doi:10.1001/jamainternmed.2015.1668
QUESTÕES CLÍNICAS Poderá a dieta Mediterrânica prevenir o declínio cognitivo?
DESCRIÇÃO DO ESTUDO Ensaio clínico aleatorizado com o objectivo de comparar a influência de uma dieta mediterrânica suplementada com azeite virgem extra (1L/semana), uma dieta mediterrânica suplementada com frutos secos (15g de nozes, 7,5g de avelãs e 7,5g de amêndoas num total de 30g/dia) e uma dieta controlo (aconselhamento para redução de gorduras), na função cognitiva
O estudo incluiu 447 participantes (233 mulheres e 214 homens) com idade média de 66,9 anos e risco cardiovascular elevado (definido como presença de diabetes mellitus tipo 2 ou pelo menos 3 factores de risco cardiovascular). Os participantes foram recrutados entre Outubro de 2003 e Dezembro de 2009, realizando uma avaliação neuropsiquiátrica na admissão e outra próxima do término do estudo, com uma bateria de testes pré-definida
Excluíram-se indivíduos com história prévia de doença cardiovascular, doença crónica grave, depressão, declínio cognitivo ligeiro, abuso de substâncias, analfabetismo ou alergia ou intolerância a qualquer um dos suplementos alimentares utilizados
OUTCOMES Primários (compostos) Memória (Rey Auditory Verbal Learning Test e Wechsler Memory Scale) Função cognitiva frontal (Animal Fluency Test, Wechsler Adult Intelligence Scale e Color Trail Test) Função cognitiva global (Mini-Mental State) Secundários Resultados individuais dos testes neuropsiquiátricos supramencionados
RESULTADOS Os participantes do grupo de dieta mediterrânica com azeite virgem extra obtiveram melhores resultados em 2 dos testes realizados (Rey Auditory Verbal Learning Test e Color Trail Test Part 2), não se verificando diferenças significativas entre os grupos nos restantes testes realizados
A seguinte tabela sumariza a variação dos outcomes primários consoante o regime alimentar cumprido: Outcomes primários compostos (IC 95%)* Intervenção Memória Função cognitiva frontal Função cognitiva global Dieta mediterrânica com azeite virgem extra 0.04 (- 0.09 a 0.18) 0.23 (0.03 a 0.43) 0.05 (- 0.11 a 0.21) Dieta mediterrânica com frutos secos 0.09 (- 0.05 a 0.23) 0.03 (- 0.25 a 0.31) - 0.05 (- 0.27 a 0.18) Dieta controlo - 0.17 (- 0.32 a - 0.01) - 0.03 (- 0.57 a - 0.09) - 0.38 (- 0.57 a - 0.18)
*Resultados apresentados como variação média entre as duas avaliações neuropsiquiátricas realizadas, em que uma variação positiva indica melhoria da função cognitiva
CONCLUSÕES Numa população idosa, a dieta mediterrânica suplementada com azeite virgem extra ou frutos secos, foi associada a uma melhoria da função cognitiva
COMENTÁRIO A Hipócrates bastaria um único comentário: “Somos aquilo que comemos. Que o vosso alimento seja o vosso primeiro medicamento”. A recomendação é muito antiga, mas continua a ser do nosso maior interesse validar e explorar o potencial dos alimentos e dos padrões dietéticos na obtenção de benefícios para a saúde. Esta trata-se de uma intervenção simples, de fácil implementação e que adquire particular relevância quando procuramos medidas cujo benefício se aplica, sobretudo, na fase pré-clínica de doenças para as quais não existem agentes farmacológicos capazes de tratá-las ou de prevenir a sua evolução – como acontece na demência.
Uma série de estudos observacionais tem demonstrado associações entre a dieta Mediterrânica e o desempenho cognitivo, no entanto, os ensaios clínicos com elevado nível de evidência são escassos. Neste sentido, o presente ensaio destaca-se por tentar colmatar uma lacuna no grau de evidência e, deste modo, sugerir, com maior segurança, que a dieta Mediterrânica se relaciona com uma melhor função cognitiva e reduz o risco de demência
Estes benefícios parecem consequência de dois tipos de efeitos da dieta Mediterrânica. Por um lado, atendendo ao papel central do stress oxidativo na fisiopatologia do declínio cognitivo, é notável a abundância de compostos fenólicos com propriedades anti-oxidantes e anti-inflamatórias, bem como a sua contribuição no aumento do fluxo sanguíneo cerebrovascular, na modulação da sinalização neuronal e na estimulação da neurogénese. Por outro lado, a dieta Mediterrânica reduz a incidência de AVC, hipertensão e diabetes, entre outras doenças fortemente relacionadas com a demência
Apesar da concordância com trabalhos anteriores, este estudo é uma análise post hoc de uma amostra relativamente pequena, com alto risco vascular, englobada num ensaio clínico mais amplo que não foi especificamente desenhado para avaliar a função cognitiva e ao longo do qual se verificou um maior abandono por parte dos participantes do grupo de controlo – constituindo um factor de enviesamento em prejuízo da intervenção
Assim, a promoção da dieta Mediterrânica suplementada com azeite ou frutos secos parece merecer a nossa atenção, no entanto, sendo este trabalho pioneiro, serão necessários ensaios clínicos adicionais com um maior tempo de seguimento, para aferir a possibilidade de generalização destes resultados e para a avaliar a durabilidade dos benefícios.
Autores: Bruno Baião Vieira, João Pedro Bandovas, Juan Rachadell Pereira, António Vaz Carneiro